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  Quadrilha que desviava remédios de combate ao câncer é desmantelada  
  (03/02/2012 13:43:00)  
     
  Grupo desviava medicamentos de alto valor da rede pública e drogas eram revendidas em farmácias e clínicas particulares  
     
 
São Paulo, 2 -Uma quadrilha que desviava medicamentos para tratar câncer e reumatismo da rede estadual de saúde e que teria causado prejuízo de R$ 10 milhões só em 2011 é o alvo da Operação Medula 3, desencadeada pelo Ministério Público e Polícia Civil na madrugada dessa quinta-feira, 2. Foram presas 12 pessoas.

O grupo, que atuava em São Paulo e no Rio de Janeiro, desviava caixas de remédios que custavam entre R$ 6 mil e R$ 8 mil. As drogas de alto custo eram revendidas por farmácias e clínicas particulares da Grande São Paulo, do interior do Estado e do Rio de Janeiro por preços inferiores.

Em São Paulo, remédios destinados ao Hospital Brigadeiro, Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer e Hospital Samaritano, que tem uma ala do SUS para tratamento de câncer, foram desviados pela quadrilha.

Um dos 12 presos foi capturado hoje pela manhã no Rio de Janeiro; outra é uma servidora da rede estadual de São Paulo. A Medula 3 emitiu ainda 16 mandados de busca e apreensão. Foram apreendidos dinheiro, armas e remédios de venda controlada.

A quadrilha pode ter mais 25 integrantes diretos que estão sob investigação. Os presos podem ser autuados por formação de quadrilha, furto, receptação, porte de arma e até tráfico de entorpecentes por causa dos remédios controlados envolvidos na fraude.

Há 6 meses que a atuação dos criminosos está sob apuração comandada pela Corregedoria Geral da Administração, órgao que responde diretamente a Casa Civil do governo paulista. Participaram ainda da investigação o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no Ministério Público, e a Polícia Civil.

À tarde o Corregedor Geral da Administração, Gustavo Úngaro, vai expor, do Palácio dos Bandeirantes, detalhes da investigação.

Líder comandava quadrilha que roubava remédios de dentro da prisão

SÃO PAULO - De dentro do Centro de Detenção Provisória (CDP 1) de Pinheiros, na capital paulista, Stefano Mantovani Fernandes, condenado a 14 anos de prisão por receptação e venda de remédios da rede pública, conseguiu apenas com o uso de um celular e quatro chips, apreendidos na terça e na quarta-feira, desviar medicamentos de alto custo de hospitais públicos. Segundo a Polícia Civil, o esquema de Fernandes tinha o apoio, do lado de fora, de sua mulher, Débora Aretuza Fulep da Luz, e do cunhado dele, Rodrigo Eduardo de Paula. Eles também foram detidos ontem.

A promotora Beatriz Lopes de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), disse que Fernandes vai cumprir castigo em um novo local: será levado ao temido Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Ele já havia sido preso, ao lado do pai e das duas irmãs, na Operação Medula 1, em setembro de 2009, que investigou o furto de remédios e a distribuição em 13 Estados. Na ocasião, o pai dele, Dahir Fernandes Filho, foi apontado como o líder da quadrilha e o responsável pelo aliciamento de funcionários dos centros médicos.

Segundo a investigação, Dahir pegava os medicamentos furtados pelos funcionários e os repassava para distribuidoras que estavam em nome das filhas, Giovana e Giuliana Mantovani Fernandes. Stefano na época tinha a tarefa de cuidar do depósito dos medicamentos, que ficava na Rua Nazaré, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. A operação prendeu nove pessoas, incluindo um genro de Dahir. Entre os medicamentos apreendidos estava o MabThera, usado no combate ao câncer.

Trata-se do mesmo medicamento encontrado ontem e na Operação Medula 2, em maio de 2010, quando seis suspeitos de desviar medicamentos de um posto de distribuição da rede pública estadual na zona sul de São Paulo foram detidos. À época, o prejuízo foi de R$ 8 milhões. As investigações da Operação Medula 3 duraram seis meses, contaram com o uso de escutas do presídio, e foram coordenadas pela Corregedoria Geral da Administração, órgão do governo estadual ligado à Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes.

A resposta dos hospitais. Em nota, o Hospital Samaritano informou que desconhecia o envolvimento de funcionários no desvio de medicamentos. Afirma que é ``vítima`` e está apurando o que ocorreu. O Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) também se manifestou por nota, dizendo que não recebeu notificação oficial sobre o caso e soube da investigação pela imprensa.

A Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo Hospital Brigadeiro, afirmou que participou das investigações. A pasta disse ainda lamentar que criminosos prejudiquem o tratamento da população usuária do SUS. (Camilla Haddad e Gio Mendes - Jornal da Tarde)

Pacientes temem falta de remédio contra o câncer

Pacientes do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), zona leste da capital, tomaram conhecimento da Operação Medula 3 ontem pela TV da recepção. Eles agora temem novos furtos e tratamentos prejudicados.

“Se fizeram antes, nada impede que façam de novo. Espero que minha mãe não tenha problemas”, disse Ana Lúcia da Silva, de 40 anos. Sua mãe, a aposentada Maria Almerina da Silva, de 60 anos, passara ontem à tarde por uma cirurgia de câncer de mama. Ela é atendida pelo SUS.

Apesar do receio, pacientes da quimioterapia disseram nunca ter sofrido com a falta de medicamentos. Um enfermeiro afirmou que o tratamento não costuma ser interrompido.
Médicos, no entanto, criticam a segurança. “É muito mal controlado. Deveria ter mais rigor no estoque”, disse um médico. O IBCC tem 75 leitos, e o SUS usa 67% deles./ FELIPE TAU

Fonte: O Estado de S.Paulo / Diego Zancheta e Solange Spigliatti
 

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