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  MPPE pede a cassação de médico obstetra  
  (14/09/2009 14:40:00)  
     
  O médico afirma que os laudos do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) comprovam que ele não cometeu erro  
     
 
Uma investigação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em relação a dois casos parecidos com o da dona de casa Solange Martins de Oliveira terminou com uma ação civil pública que solicita a cassação do registro de um médico de Paulista, no Grande Recife. De acordo com a Promotoria de Defesa da Cidadania do município, o ginecologista e obstetra Mário Medeiros Cardoso, 63 anos, cometeu erro médico ao tratar de duas gestantes, ocasionando a morte dos bebês ainda na barriga.

O MPPE solicita à Justiça indenização por danos morais e materiais, tratamento psicológico para as duas pacientes, além de fertilização in vitro em uma delas, que, mesmo sem autorizar, teve as trompas ligadas e não pode mais ter filhos. Os procedimentos devem ser custeados pelo médico e pelo Hospital Memorial de Paulista, onde as gestantes foram atendidas.

A investigação preliminar teve início em novembro do ano passado, quando as gestantes denunciaram o caso ao MPPE. Concluído ontem, o procedimento investigatório conduzido pela promotora Isabel de Lizandra Penha Alves, teve cópias enviadas à Justiça, Cremepe, Ministério da Saúde e Promotoria Criminal, já que o médico também pode responder criminalmente pelo erro.

Para a vendedora Janice Xavier, 31, que perdeu o filho e ainda passou por um procedimento de laqueadura, o resultado da investigação traz alívio para ela e a família. “Eu estou triste por ter perdido um filho. Se não houvesse o erro médico, ele estaria completando um ano no dia 19. Mas estou feliz porque sei que esse caso não vai ficar impune”, desabafa. No caso de Janice, segundo o Ministério Público, o médico também teria calculado errado o tempo de gravidez.

A outra paciente, a estudante Erika Lima da Silva, 21, diz que o médico Mário Cardoso fez um exame nela, constatou que a bebê que ela esperava estava morta e depois a mandou para casa. “No outro dia fui ao hospital e ele disse que a criança estava morta. Mas o exame revelou que minha filha estava morta há quatro dias”, explica a estudante.

As duas mulheres fizeram o pré-natal e o parto com Mário Cardoso através de um plano de gestação em que a mãe parcela o valor em até seis vezes. Janice chegou a pagar R$ 1.300 e Erika, R$ 1.800 ao médico.

A promotora Isabel de Lizandra Penha Alves acredita que a ação civil pública visa defender não só Janice e Erica. “Evita que outras gestantes passem por isso. A dor dessas mulheres é imensurável. No depoimento do médico, constatamos várias contradições. Além disso, ele tentou manipular as provas, assinando documentos com datas retroativas”, assevera.

O médico Mário Cardoso negou ter cometido erro médico ao falar com a reportagem por telefone. “Tenho 38 anos de profissão. Não existe a possibilidade de um médico responder pela morte de um feto na barriga. Se elas estivessem em trabalho de parto e eu não quisesse operar, seria diferente”, explica.

Segundo o obstetra, as duas pacientes apresentaram problemas durante a gestação. “Uma delas (Janice) tem diabete. Tomava insulina duas vezes por dia e isso comprometeu a gravidez. A outra tinha problema de circular de cordão. Elas chegaram ao hospital com o feto morto”, garante.

O médico afirma que os laudos do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) comprovam que ele não cometeu erro.

A reportagem entrou em contato com o hospital por telefone, mas uma funcionária afirmou que a responsável pela unidade de saúde não se encontrava no local.

Fonte: Jornal do Commercio
 

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