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  BA: Baixa remuneração afasta estudantes da pediatria  
  (11/07/2008 14:20:00)  
     
  Por conta da baixa remuneração, muitos especialistas na área estão deixando de atender em consultório  
     
 
A decoradora Silvana Hirsch, 25, tem dificuldade de marcar consulta com um pediatra para sua filha Maria Luiza, de nove meses. A maior parte dos médicos da lista do seu plano de saúde se desligaram da empresa. O caso não é isolado. Por conta da baixa remuneração, muitos especialistas na área estão deixando de atender em consultório. A crise enfrentada pela categoria já afetou o mercado e tem afastado os estudantes de medicina da pediatria em todo o Brasil.
“Estamos até organizando uma campanha para estimular os médicos a não atenderem mais por meio dos planos de saúde”, admite o presidente da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), Fernando Barreiro. Ele explica que as empresas de assistência médica privada pagam, em média, de R$ 30 a R$ 40 reais por consulta. Com este valor, o profissional primeiro paga os custos do consultório (aluguel, secretária, luz, telefone, etc.) e só depois reserva uma parte para sua remuneração.
Ainda de acordo com Barreiro, os preços pagos pelo Sistema único de Saúde (SUS) também estão fazendo muitos pediatras desistirem de atuar na rede pública. O valor de uma consulta, por exemplo, é de R$ 10. “Os profissionais estão migrando para outras áreas ou atuando apenas em hospitais privados, que pagam melhor e oferecem condições dignas de trabalho”, desabafa.
Remuneração- O valor pago pelas consultas é tão baixo que não vale a pena lutar por pequenos aumentos, garante o presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), José Caires Meira. “Hoje, tem médico que trabalha até 60 horas semanais para receber de R$ 2600 a R$ 3000, quando o ideal seria R$ 7.503,00, para uma jornada de 20h”, calcula.
A procura pela residência médica (especialização) em pediatria dá a medida da situação, segundo o gerente médico do Centro de Pernambués, Wilson Endruveit. “Enquanto em dermatologia, por exemplo, a concorrência é de cerca de 100 alunos por vaga, em pediatria, é comum não chegar a três”, diz.
Para Gabriela Sampaio, pediatra há sete anos, o problema é que tanto o SUS como os planos de saúde não levam em consideração o fato de que as consultas pediátricas, por seu caráter preventivo, duram praticamente o dobro do tempo de uma avaliação médica de outras especialidades, podendo durar até uma hora.
Além disso, numa consulta desta especialidade, quase não são realizados procedimentos técnicos, que também são remunerados. “Ou seja, nós trabalhamos o mesmo número de horas, e às vezes até mais, por estarmos 24 horas disponíveis para acudir pais e mães, mas recebemos muito menos. É natural que os estudantes prefiram anestesia, dermatologia e cirurgia ortopédica, áreas que pagam melhor``, acredita Gabriela.
Revalorização – A médica pediatra e coordenadora do curso de medicina da Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC), Leda Solano Souza, acredita em uma melhora da situação a curto prazo. Segundo ela, a crise da especialidade já começa a ser revertida. “Com a diminuição do número de pediatras no mercado, está se iniciando um movimento inverso e a pediatria está sendo procurada pelos estudantes novamente”, explica.


Fonte: Carolina Mendonça - A Tarde On Line
 

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